Editorial
Publicada em 21/10/2017 - 00h18min

Claudia Irente

Tristeza

Os assassinatos de dois estudantes e os ferimentos causados por arma de fogo em mais quatro, no final da manhã de ontem, provocados por um aluno de 14 anos, que abriu fogo em uma escola particular de Goiânia, onde todos estudavam, reacende uma reflexão em torno da violência nos dias atuais e da intolerância gerada em situações frustrantes. Isso porque o garoto, segundo consta, seria vítima de "bullying" por parte de um dos menores que morreu, pela simples alegação de que "não usava desodorante".
Nos tempos em que vivemos, tudo parece ser difícil de ser digerido, mesmo para os adultos, que também partem para agressões e mortes em brigas de trânsito e até nas filas dos bancos, para depois se arrependerem. Mas, especialmente para a nova geração, tão imediatista e bombardeada por informações, parece faltar o suporte afetivo suficiente ou a orientação necessária para que saiba lidar e responder, proporcionalmente, a qualquer tipo de provocação.
Este jovem de Goiânia, conforme a Polícia Civil apurou, seria filho de policiais militares que o teriam ensinado, inclusive, a atirar. A pistola da corporação, entretanto, teria sido pega pelo jovem, escondida em um móvel da casa, e colocada na mochila. Visivelmente perturbado, o menino pretendia se matar após os crimes e disse que vinha planejando o ato já há algum tempo, inspirado nos massacres de Columbine e Realengo, que também vitimaram vários estudantes.
Apesar de toda a descrição da origem do adolescente e do que se passava com ele na escola, é provável que o garoto tenha alguma espécie de transtorno que o levou a cometer tal desatino. Pelo menos esta parece ser uma das razões mais plausíveis para tentar se justificar o injustificável. O caso relembra o de Marcelo Pesseghini, de 13 anos, igualmente filho de policiais (com quem teria aprendido a atirar), acusado de ter matado, com a arma da mãe, os pais, a avó, a tia e se suicidado na sequência, ao voltar da escola, para onde teria levado armas na mochila.   
Embora não haja explicações para esses casos, talvez seja hora de retomar o debate sobre violência e intolerância, não somente nas escolas, mas nas instituições policiais e, principalmente, dentro de casa.
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