Editorial
Publicada em 18/05/2017 - 22h23min

Tiago Pantaleon Ignacio

E o futuro?

Apesar das polêmicas envolvendo as propostas de reformas trabalhista e previdenciária do governo federal, o País dava indícios de que estava começando a melhorar, a trilhar um caminho de perspectivas mais otimistas.
A inflação estava baixando, o poder de recuperação das empresas retornava, a geração de emprego voltava a acontecer e a imagem do Brasil parecia estar melhorando. Era um otimismo que aparecia, mesmo com os desdobramentos da Operação Lava Jato.
Eis que surge uma bomba em Brasília. Agora envolvendo o presidente Michel Temer, que foi gravado por Joesley Batista, um dos donos da JBS, holding que controla marcas como Friboi e Seara, durante conversa. Nela, o empresário diz que estava pagando uma "mesada" ao ex-deputado federal Eduardo Cunha, preso em Curitiba, para comprar o seu silêncio. Na gravação, Temer teria dado o aval: "Tem que manter isso, viu".
O presidente também teria indicado o deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR) para resolver uma pendência da JBS com o Cade, órgão de controle da liberdade de concorrência. Dias depois, o parlamentar é filmado em um restaurante recebendo R$ 500 mil em uma mala preta enviada por Joesley Batista.
Também atingiu o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que, por intermédio de sua irmã, Andréa Neves, presa ontem pela Polícia Federal, teria pedido R$ 2 milhões ao empresário para bancar os honorários advocatícios de sua defesa no inquérito na Lava Jato. Houve até um pedido de prisão do tucano do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que foi negado pelo ministro Edson Fachin, sem remeter o caso ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas ele acabou suspendendo as funções de Aécio Neves como senador.
Para fechar o estrago, a delação de Joesley Batista ainda aponta Guido Mantega, ex-ministro de Lula e Dilma, como seu contato no PT e o responsável pela negociação de propina que era distribuída entre parlamentares da legenda. O empresário também afirmou que era ele que operava os interesses da JBS no BNDES.
Com tudo isso, o dólar disparou, a bolsa de valores caiu e a confiança do mercado externo voltou a ficar comprometida. É o prenúncio de retorno a como estava antes. O STF já abriu inquérito. Ontem, Temer avisou que não irá renunciar e cobrou um resultado rápido da apuração. Resta saber como ficará o governo daqui para frente e como o episódio afetará a economia e a vida dos brasileiros. É muita tensão no ar.
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