Cidades
Publicada em 19/04/2017 - 23h20min

Paulo Passos

Justos!

No momento político-social pelo qual passamos, penso que o Poder Judiciário, com sua sacerdotal missão, foi relegado a plano secundário. Isto concluo, considerando a conhecida Operação Lava Jato, que se eterniza e nos surpreende a cada momento com listas e listas de pessoas a serem investigadas.
Levada pela espetacularização das informações - vazadas ou não -, a sociedade, quase toda ela, se convenceu que os nominados fazem parte de um bando de salafrários.
Debaldes os esforços, quando as mínimas discussões se travam para tentar se argumentar que temos um sistema jurídico assentado em normas democráticas, que asseguram a ampla defesa e o regular processo, antes que possamos proclamar a culpa. Mostra-se reticente e visceral o interlocutor!
Para ele, neste caso, dispensáveis as normas fundamentais às nações de Direito!
Afinal, a fala do investigado-delator tem peso de ouro, induz à "verdade sabida"!
Olvida-se, nessa hora, que a regra que ele passa a defender, terá aplicação geral, transcenderá aos delitos em debate!
No outro extremo está a se lidar com "grupo de inocentes", anjos prestes a ganharem asas! Vestais de sempre, os elencados nas divulgações, com estudadas indignações, lançando mãos de desculpas e ameaças, juram inocência, se dão por vítimas.
Assim, não cabendo aos magistrados - ao menos por enquanto - julgar "santos"; tendo a opinião pública, de antemão forjado juízo de valor sobre o assunto, (e não admitindo contrariedade à "decisão", sob pena de tachar os juízes de venais ou de político-partidários), fica no ar a indagação: Para que o Poder Judiciário? Para atuar como órgão homologador?
Não seria melhor, ante o quadro, extingui-lo, dando-se tal função à "esclarecida" e "imparcial" massa de julgadores de primeira hora, aos novidadeiros "tribunais populares"?
Lembro ainda do tempo em que se respeitavam os dogmas emanados do Estado, e se promovia a verdadeira Justiça!
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